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Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

26.11.19

Parabéns Magda

Alexandra

Aceitei escrever este post na hora que a ideia surgiu (aceitam-se apostas de quem é a culpada disto) e pensei que ia ser fácil.

Não é. 

A Magda faz anos e merece toda a atenção!!

Não queria cair nos clichés de escrever que é uma pessoa espetacular, com um coração enorme, amiga, gentil, sensível (isto seria mentira, que ela tem um calhau no peito e nem sequer chorou a ver o Marley), mas isso parece-me tão vulgar que não me apetece.

Pensei em falar dos defeitos, o que teria muito mais piada, mas... Não é que não os tenha, mas esconde-os muito bem ou então é a gargalhada dela que os apaga da nossa memória. (caneco, ela tem que ter defeitos, como é possível não me ocorrer nenhum relevante?!).

Contar como soubemos da existência uma da outra também já é do conhecimento geral e o primeiro contacto pessoal foi como se já tivéssemos estado efetivamente juntas várias vezes, durante toda a vida. Família, estão a ver?

A verdade é que nos conhecíamos melhor do que muita gente que priva connosco diariamente. Pelo menos da minha parte, é a mais pura das verdades.

Não me adianta estar para aqui a contar mais coisas nem tentar puxar à lágrima, que ela não vai chorar, por isso:

PARABÉNS Magda do meu coração.

Que os próximos 50 sejam ainda mais felizes do que os anteriores, tu mereces e aguentas, e que eu possa ser testemunha disso sempre, seja à distância de um abraço (figurado, que não somos melosas) ou das teclas e de um ecrã.

Gosto bué da tu.

Agora vão ao cantinho dela deixar mimo.

Não precisam de dizer que foram porque eu vos mandei.

 

 

22.10.19

Já viram isto?

Alexandra
Isto... 

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A Magda foi ao SAPO, lá mesmo ao nenúfar principal deste charco, falar sobre os blogs dela e sobre o Desafio de Escrita dos Pássaros.

 
Não liguem quando ela diz que eu disse 20 vezes "problemas, só problemas" em 5 minutos. Na verdade eu devo ter dito bem mais, porque me parecia mesmo um problema.
E é.
Só que está a ser muito giro, tanto escrever como ler os textos dos outros. Deu também para conhecer novos blogs, o que complica imenso a minha vida de blogadeira, porque não tenho tempo para acompanhar devidamente tanta gente, que é como quem diz, ler e comentar é praticamente impossível.
 
Vão lá ouvir, não percam aqui mais tempo.
27.08.19

O fim de semana...

Alexandra
... ou a incapacidade de escrever que se me dá às vezes (muitas e várias).

 

Escrevo maioritariamente parvoíces, coisas simples que me vão acontecendo, reflexões (básicas) sobre o que se passa no mundo, ou na minha rua... mas tenho dificuldade em escrever, ou simplesmente partilhar, coisas muito boas ou muito más que se passam na minha vida.

 

Por isso é que muita gente acha que vivo para o Tobias, porque a maioria das fotografias do Facebook são dele. Acham que não saio de casa, porque não publico, não conto, não comento... vivo.

 

Quando estou realmente a viver o momento, nem fotografar me apetece e as palavras parecem-me sempre poucachinhas para descrever o que vivo.

 

É por isso que não consegui, e ainda não consigo, contar convenientemente o fim de semana de 10 e 11 de agosto, mas queria aqui deixar o registo, por isso, vejam o que aconteceu neste texto onde a Caracol conta quase tudo.

 
01.07.19

Quatro horas de comboio

Alexandra
... duas para lá e duas para cá.

Sozinha pela primeira vez, e as primeiras vezes são sempre marcantes.

 

Isto para estar umas seis horas, mais coisa menos coisa, com pessoas que nunca tinha visto ao vivo mas que conheço "desde sempre". Sei mais delas do que da maioria das pessoas com quem convivo regularmente, preocupo-me com elas e alegro-me com elas, acho que é o que se chama ser amigo. Elas sabem mais de mim do que a maioria das pessoas que me rodeia.

Não tenho muitos, mas estes fazem parte da conta e não é só por me terem recebido em casa como se fosse da família e por terem feito o sacrifício extremo de me apanhar e deixar na estação quando podiam estar... "num sítio péssimo". São meus amigos porque gosto muito deles e já nem me lembro muito bem como era antes deles existirem na minha vida, simplesmente parece que sempre aqui estiveram. 

 

Ficou a faltar gente, mas "temos pena"!!... até porque somos pássaros... Preferiram ir trabalhar e tratar de cenas, nós aproveitamos por eles.

 

Tudo começou no SAPO e, no sábado, tive a confirmação real do que já sabia: os blogs têm gente dentro. E é boa gente (alguns, pelo menos).

 

Foi um dia feliz. Curto, mas feliz.

Como diz o outro "soube-me a pouco e portanto... soube-me a tanto".

 

 

Não vou dizer que houve pouca roupa vestida, para não acharem que somos uns badalhocos. Nós tomamos banho.

 
31.12.18

Pai Natal e os 8 Pássaros - parte VI

Alexandra

  Nicolau nem se conseguiu pronunciar. Idalete tomou conta de toda a situação, sabia que ela seria a salvação dela, mas nunca pensou que ela é que fosse entregar os presentes, afinal o Pai Natal era ele! A Passarada foi-se levantando e dirigindo-se para as suas funções, ficando para trás apenas o Pai Natal e a Idalete...

- Idalete, amorzinho - dizia o Pai Natal, corado - isso é trabalho para... Huummm... Ahhhh...

- Para um homem? É isso que queres dizer?

Nicolau sentia a fúria da mulher e não era isso que ele queria insinuar...

- Não, querida. É trabalho para mim. Eu sei que ando um pouco estranho, ultimamente. Mas a verdade é que não é o Natal que me está a preocupar. És tu, amorzinho.

É então, finalmente, o Pai Natal desabafou...

Ao longo de todos aqueles anos como Pai Natal, Nicolau nunca tinha conseguido oferecer a Idalete o presente que ela mais queria. Um filho. E todos os anos criava-se uma angústia enorme no seu coração, porque ele levava a todos os meninos e adultos que acreditavam nele, as prendas que todos desejavam.

Já com esse desabafo exteriorizado, Idalete chorava agarrada ao Pai Natal.

- Querido, tu não vês que eu nunca quis mais nada que não fosses tu?

Nesse exacto momento entra Aretha, com um coro para começarem a entoar os hinos natalícios.

O Pai Natal informou os 8 Pássaros que nada estava perdido. Ele iria utilizar toda a sua magia para pôr este Natal a andar. Ligou para Deus e disse-lhe que ele tinha que pôr o menino na ordem em vez de mandar os outros entretê-lO, ao que Ele aquiesceu. Como por magia, em casa do Pai Natal a balbúrdia resolvia-se para espanto de todos.

Nicolau estava a transformar-se na figura natalícia que viaja pelo mundo.

Num instante, também se puseram todos lá. Os elfos trabalhava a todo o vapor, Idalete acabou de fazer o repasto para a viagem, o livro das entregas estava pronto e até Jesus tinha até deixado um postal de natal com a Sagrada Família, a agradecer pelo presente (Maria fica sempre bem nas fotos, pensou Idalete, enquanto admirava o postal).

Sempre ficara com o overboard, com a promessa de não andar por aí a fazer milagres em cima daquilo. E lá percebera que, o Seu papel era de trazer esperança ao mundo, completando o Pai Natal.

E pouco antes da meia-noite, Nicolau saiu no seu trenó, com a certeza que o espírito Natalício estava vivo.

Idalete tinha-lhe dito, momentos antes de sair, que o único filho que ela queria era apenas saber que todas as crianças do mundo sorriam ao ver os presentes que o Pai Natal, São Nicolau, lhes levava naquela noite. Feliz, o Pai Natal saiu para cumprir o seu destino, deixando para trás todos os pássaros felizes.

E assim se salvou mais um natal.

30.12.18

Pai Natal e os 8 Pássaros - parte V

Alexandra

Então e depois da A-Pérsia, como estão os Reis Magos?

Então... O Belchior, que levava ouro para o Menino, fez um desvio na China e preferiu em vez disso comprar-lhe com o ouro a última Playstation, todas as expansões do Fortnite e uma data de skins. Assim podia ser que canalizasse a excitação para outras coisas.

O Gaspar, que levava incenso e tinha medo de o Menino não gostar nada do seu presente, passou pelo Martim Moniz e trocou o incenso por um iPhone XS novinho em folha. Menino que é Menino, precisa de estar sempre na vanguarda da comunicação.

Quem ficou agarrado foi, como sempre, o Baltazar. Quem é que quer mirra? Ninguém... O melhor uso que se pode dar a mirra é em terapias e não havia nada que pudesse interessar ao Menino num terapeuta, não dava para trocar. Então, despediu-se do cargo de Rei Mago e foi trabalhar para as obras no Qatar, onde se vai encher de dinheiro. Para o próximo ano, já pode oferecer ao Menino alguma coisa mais substancial.

Resolvida a questão dos Reis Magos e das modernices que inventaram, os pássaros decidem tomar conta do Natal.

- "É preciso por ordem nisto" diz o Pássaro 1, chamemos-lhe Passarão. "Não se pode cancelar o Natal. Temos é que fazer com que seja uma festa inesquecível.

Ideias, vá, tudo a dar ideias."

Pássaro 2 revira os olhos: "Deves pensar que és o "team leader" do pedaço tu!!"

- "Vocês vejam lá o que arranjam, ainda se dá um drama", prevê Pássaro 3.

Pássaro 4 tem mais uma ideia: "Podíamos fazer uma corrida solidária, eu vou devagarinho".

"Com um pic nic no fim", diz Pássaro 5 que ainda tem restos do casamento que quer despachar.

O Pássaro 6 oferece-se logo: "Eu tiro as fotografias."

O Pássaro 7, fecha o livro e proclama: "Pode-se fazer uma troca de prendas. Pode ser livros, por exemplo".

Pássaro 8:

- Bom, eu proponho que façamos aulas de pilates. Não que resolva ja o problema, mas respiramos todos um pouco e daqui a nada já nos parece um problema menor.

Um burburinho começa a formar-se sobre quem decidia o quê e qual era a melhor forma de resolver a falta do Natal, quando a porta se abre de rompante, exibindo uma figura misteriosa de rosto encoberto pelo capuz. As unhas vermelhas ditavam uma manicure acabada de fazer e a voz foi inconfundível:

- Vou eu distribuir os presentes. Levo a Maria comigo .vocês ficam o menino. E não faças essa cara Nicolau: há muito que conheço esta tua companhia. Vá, tudo a bulir que a véspera de Natal é já depois de amanhã.

- Tu Rudolfo não podes faltar, como é óbvio. Tu Cidalino traz algumas chouriças de reserva que a fome é capaz de nos dar e trata mas é de pôr tudo no GPS que não é para nos perdermos! - Idalete disse tudo de uma assentada só, não dando oportunidade de ninguém mais se pronunciar. Arregaçou as mangas, respirou fundo e voltou ao discurso. -  Vamos lá, toca tudo a mexer. Faltam pouco mais de 24 horas para o Natal e não quero que falhe nenhuma prenda. Vá, tudo a levantar o rabo!

29.12.18

Pai Natal e os 8 Pássaros - parte IV

Alexandra

O Pai Natal estava em desespero e ainda ficou mais quando o Coelhinho na Páscoa pegou no telefone e disse:

- Deus? Temos aqui um probleminha com o teu filho... Sim, sim, com o Jesus. Não, o Lúcifer não fez nada desta vez, mas o teu santinho Nico ia-se metendo numa alhada...

Depois de desligar a chamada, Deus, lá do alto, decidiu rapidamente que isto de educar filhos é sempre um sarilho, e, ou temos mão neles ou a coisa descamba rapidamente. E, quer dizer, dois mil e tal anos de experiência não são de menosprezar.

Primeiro ligou ao Stephen:

- agora que já estás convencido que eu realmente existo, podes dar-me aqui uma mão? Importaste de pedir ai ajuda ao Albert e vão os dois entreter o meu mais novo? está naquela fase de chamar a atenção, só quer as prendas, e tarda nada estraga o Natal a esta gente toda. Estamos combinados? ok, obrigado, desculpa mas tenho aqui mais duas ou três chamadas que não posso adiar.

Depois de desligar, ligou para a Aretha

- Minha querida amiga, posso contar contigo distraíres a sociedade secreta dos oito pássaros enquanto o Stephen e o Albert distraem o meu mais novo? óptimo, leva contigo quem precisares. Até breve

Por fim, o telefonema que não lhe apetecia mesmo nada fazer:

- Idalete, meu amor... - do outro lado do telemóvel estava Idalete cheia de pratas no cabelo, enquanto a manicure lhe acabava de arranjar as unhas.

- Que se passa Nicolau? Conheço bem essas tuas falinhas mansas... - O tom do Pai Natal era demasiado meigo, alguma coisa vinha do outro lado da chamada.

 - Oh Idalete, meu amor, é só para dizer que logo vou jantar com o Rudolfo, devo chegar tarde. Sabes como é, tenho de o animar e preparar para liderar a viagem e sabes como ele anda preocupado este ano. - Entre meios soluços e umas quantas pausas, Nicolau conseguiu inventar uma desculpa para naquela noite desaparecer. No fundo o que o Pai Natal precisava era de uma reunião secreta com os Pássaros para conseguir levar a sua a avante...

- Pronto homem, vai lá... Não bebas é de mais, já sabes que o último copo nunca te cai bem! - Idalete desligou o telemóvel, mas tudo aquilo lhe continuava a cheirar a esturro...

- Veio fazer um update ao look, dona Idalete! Diz a manicura a tentar fazer conversa de circunstância.

- Rapariga, despache-me lá rápido que tenho tanta coisa para fazer. Não tenho dia para ficar aqui!!! O sexto sentido muito apurado da Idalete estava em modo alerta máximo, sabia que o Pai Natal estava a esconder algo estava disposta a descobrir o que era agora mas não podia sair de pratas da cabeça... No entretanto o Pai Natal estava a fazer o briefing com o grupo secreto 8 Pássaros.

- Eu tenho uma ideia, no lugar de dar essa coisa, fazemos uma blind date com Madalena assim como assim vão conhecer-se na mesma... Disse o Coelho da Pascoa cheio de esperança que se resolvia o drama.

- A minha ideia da overboard muito melhor, só de pensar na ira de Deus, sou amigo de José e da Maria. Coitada de quem se meter com o Jesus dela é pior que a Dolores mãe do Ronaldo que escorraçou todas as noras. Disse o Pai Natal muito preocupado em manter boas relações com todas as pessoas do mundo e fora dele também...

- Não vejo outra possibilidade temos de cancelar o Natal...Disse Rudolph coagido pela Aretha e assembleia ficou quase sem folgo depois de proferidas tais palavras... Cá para mim que não sou de intrigas Rudolph e a Aretha fazem uma perninha....

28.12.18

Pai Natal e os 8 Pássaros - parte III

Alexandra

E Belchior continuou:

- Ó moço eu só chego no dia 6 Janeiro, mas para compensar levo mais 2 amigos, que vão levar mais dois presentes. O Jesus continuo a fazer uma birra porque queria a prenda cara.

- Mas eu não quero ouro, quero um Iphone XS 512 Gb ou overbrod. A Idalete sem paciência para tanta falta educação, porque tinha de ir arrumar aquela confusão toda porque estava tudo fora do sitio.

- Jesus, queres juntares o Natal com o teu aniversário, assim só ganhas uma prenda, meu filho.

- Mas o Natal é no meu aniversário!

- O teu tio vem cá dia 6 Janeiro, traz um Chinês ou Indiano e um Africano. Vai para casa que a Maria deve já estar farta de procurar, tens de esperar pelo Natal para ganhares presentes.

Nicolau assistia à cena do Menino enquanto morfava um caril de lentilhas que roubou da cozinha do Cidalino... já tinha feito uns "burpees" e preparava-se para a aula de "jump", que para caber nas chaminés a pança tinha que ter a medida certa.

- Idalete, filha, Anda cá. O Menino tem alguma razão. Está desde o início do ano a pedir um overboard e o Zé só lhe deu um carrinho de rolamentos, feito com umas sobras lá da carpintaria... O cachopo não é assim tão mau que não se lhe possa fazer a vontade.

- Para com isso Nicolau. O Zé e a Maria é que sabem. Passas o ano a dizer que só quem se porta bem recebe presentes e depois é ver-te a distribuir embrulhos por todo o lado. Olha dá-lhe um livro se queres ficar amigo Dele.

Entretanto, batem à porta...

Nicolau apressa-se a abrir a porta mas não vê ninguém! Corre em direção à rua mas não vê ninguém. "Que estranho" Pensou. Mas logo se apercebeu do objeto que ali jazia e percebeu que o Milagre de Natal estava ali à sua frente. No meio da rua, um overboard perdido, e como achado não é roubado, pega nele e corre para casa e começa a traçar um plano: Não iria ser um presente de Natal, não iria desobedecer à Idalete, nem ao Zé, nem à Maria, mas iria arranjar uma maneira de o deixar ao Menino de surpresa e desta forma fazer-lhe a vontade, mas sem que ninguém se chateasse.

E rapidamente descobriu o local ideal.

O menino dormia a sesta, Cidalino estudava a melhor forma de ligar o nitrogénio ao trenó para que a viagem fosse mais rápida este ano e Idalete fora ao cabeleireiro para retocar as raízes que segundo ela "estavam piores do que as cãs de Moisés, valha-me o pai do menino".

Nicolau aproveitou o estranho momento em que todos se ausentaram nos seus afazeres, sacou o overboard da chaminé, onde o escondera na noite passada e saiu pela porta das traseiras, em direcção ao seu esconderijo mais secreto e que mais ninguém no mundo conhecia:

No meio da floresta que circundava a casa, bem no centro, habitava um pinheiro manso de tronco largo e ramos frondosos. Removendo um pouco da neve que lhe cobria as raízes, Nicolau acionou a alavanca que abria o tronco e suspirou quando entrou, antecipando o que os 8 Pássaros iriam reclamar desta vez...

A sociedade secreta, dada pelo nome de 8 Pássaros, estava reunida desde o dia anterior, depois de terem tomado conhecimento dos acontecimentos que punham em risco todo o Natal como o conhecíamos. Rudolfo, que no meio da acção se tinha posto misteriosamente em marcha, já se tinha adiantado ao Pai Natal e tinha trazido todos os problemas ao conselho consultivo dos 8 Pássaros.

Assim que o Pai Natal entrou, já estavam reunidos à sua espera. Presidia à sessão solene o Coelhinho da Páscoa, que com o seu ar grave e circunspecto, anunciou com voz de tributa.

- Santo Nicolau Domingos Dias Santos?

- Sou eu, comandante!

- Queres explicar o que pretendes fazer para conter o caso "menino"?

- Pensei em oferecer-lhe esta geringonça, senhor...

- Oferecer-lhe?! Mas tu já viste se começamos a dar presentes, que não os regulamentados, ao menino? Tu já pensaste no que vai acontecer aos presépios? Tu tens noção do que poderia acontecer ao Natal!?

27.12.18

Pai Natal e os 8 Pássaros - parte II

Alexandra

No topo da árvore, envolto em panos, com uma faca nos dentes e um ar chorão de quem está prestes a fazer um milagre que vai acabar mal, estava Ele. -

Outra vez o puto! - diz o Pai Natal entre dentes.

- Ei! Eu ouvi isso. Eu oiço tudo.

- Sai daí menino Jesus! - grita-lhe Idalete - Vou dizer à tua mãe o que tu andas a aprontar. Olha que ainda esta semana tomei chá com ela!

- Podes dizer o que quiseres - desafia-a o menino - mas este ano não vão ficar com os louros todos.

E nisto, para espanto de todos, menino Jesus lança-se do topo da árvore em direcção ao Pai Natal que, estarrecido, vê a sua vida passar num flash à sua frente...

Agarrado às barbas do Pai Natal, o Menino Jesus puxava por onde conseguia para tentar arrancar aquelas barbas ásperas e irritantes.

  - Pára com isso, Jesus. - Gritava Idalete agarrando uma perna do pequeno. Cidalino, em auxílio do Pai Natal, que apesar de lhe comer as morcelas e o queijo gostava bastante dele, agarrou no que restava de uma chouriça e acertou em cheio na testa do pequeno diabrete.

No meio da confusão Rudolfo desapareceu misteriosamente, ninguém deu pela coisa, enquanto todos estavam concentrados em agarrar o menino Jesus que apenas queria vingar a fama do Pai Natal ninguém topou a cena. Afinal, depois do famoso anúncio da Coca-Cola, nunca mais o Natal foi o mesmo, todos se esqueciam de que era o aniversário do pequeno e só o Pai Natal assumia o protagonismo.

Nisto, Idalete Natal pega no telemóvel e liga aos Reis Magos. O seguinte diálogo sucede:

 - Tou? Belchior? É a Idalete. Onde é que vocês estão?

Olá Idalete. Olha, neste momento estamos no Oásis à saída da A-Pérsia. Os camelos precisavam de abastecer. Mas conta coisas, que se está a passar?

Epá, o puto Jesus tá aqui desencabrestado, a dizer que quer voltar a ser o protagonista do Natal. O que é que eu faço?

Olha boa, não sei. Já tentaram dar-lhe uma palmada no rabo?

Ó Belchior, mas tu achas que a gente vai dar uma palmada no puto? O Cidalino ainda lhe atirou com uma chouriça à cabeça, mas ele ainda ficou pior. Achas que lhe dê um Valdispert para ver se ele acalma?

Não, Idalete. Não me drogues a criança que eu ainda preciso de o apresentar ao povo e se ele está com olhos de charroco ninguém o leva a sério. Passa-lhe aí o telefone que eu falo com ele, se faz favor...

Idalete lá passou o telemóvel ao puto e Belchior, com a sua calma inglesa, enquanto bebia uma chávena de chá de maça e canela e comia um brioche

que além de duro, ainda tinha custado os olhos cara, que isto das áreas de serviço só servem mesmo para nos enganar

pensava com os seus botões - mas que mania esta agora de não se dar palmadas aos putos... não hão-de eles fazer tudo o que querem, credo. Educação, senhores, educação!).

Mas pronto, quando Jesus atendeu lá tentou chamá-lo à razão:

- ouve lá, rapaz, mas não tomaste a Ritalina hoje? não sabes que tens mesmo de controlar essa hiperactividade? anda lá, já tens dois mil anos de idade, podias ter um bocadinho menos de ciumes? Então andamos aqui todos a tratar-te nas palminhas, e vai-se a ver e fazes estas cenas? que exemplo estás tu a dar?

Jesus começou a amuar e a fazer beicinho, não gostava nada quando se chateavam com ele. Até porque, agora que pensava nisso, se calhar não tinha tomado a medicação. Além de... pronto, prendas são prendas e ele queria mesmo a prenda que Belchior lhe tinha prometido.

 

(eu, MulaCaracolFatiaMagdaSilent ManDrama QueenJustSmile)

 

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