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Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

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Por Alexandra Gomes

15
Set15

Colégio Militar

Ao ver esta reportagem da SIC fiquei com uma (ainda) maior convicção do que é o Colégio Militar e do quanto sou contra este tipo de instituição. A formatação de caráter, a "despersonalização", a lavagem cerebral que fazem às crianças... Que tipo de pai/mãe põe um filho num colégio destes?

 

Já tinha escrito sobre isto e veio a tropa toda atacar, foi dos meus posts mais comentados, até por anónimos maus (ui que medo!!) e o único em que fui insultada...

 

Deixo a seguir os posts que escrevi em setembro de 2013, porque a minha opinião continua a ser a mesma.

Se a tropa vier toda outra vez, eu aguento.

 
- A propósito da hipótese de fechar o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas

 

 

Colégio Militar e de Odivelas (12-09-2013)

 

Não sei se devem fechar ou não, não tenho informação para isso.

 

Por mim fechavam.

Se soubessem as comichões que me faz um colégio só de meninas ou só de meninos.

Os "frenicoques" que me provoca saber que crianças com pais passam a vida internados num colégio.

A raiva que me dá saber que há mães que dormem descansadas sabendo que os filhos "estão na tropa", por vontade delas.

 

E pronto, não digo mais nada para não ter que dar um tiro em alguém.

 

 

- Recebi muitos comentários e resolvi explicar em post o meu ponto de vista

 
 

Resposta a comentário (18-09-31013) 

 

O post sobre o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas revelou-se mais polémico do que eu esperava.

 

Aproveito para esclarecer que neste blog exponho as minhas opiniões e sugiro a quem não gosta delas ou da forma como são expressas se retire e se assim quiser, não regresse. Quem não concordar mas achar por bem que me deve informar disso e assim expor a sua própria opinião, é muito bem vindo. Não tenho nada contra opiniões diferentes da minha e gosto de debater, sendo que no fim, cada um fica "na sua" e amigos como antes. O que não tenho que aturar é falta de educação e só esses comentários são apagados. Sim, há censura no meu blog.

 

Por tópicos para ser mais fácil:

 

- "ministram formação militar adequada à idade dos alunos".

Não gosto nem um bocadinho que se dê formação militar a crianças e não vejo a necessidade ou benefício disso. 

 

- "sucesso de candidaturas à Universidade, que ronda os 100%".

Reservo-me o direito de desconfiar dos métodos de avaliação de colégios privados e de ensino público da espécie dos CM e do IO. Não se pode comparar o incomparável. No ensino público há de tudo, meninos com dificuldades de aprendizagem, problemas sociais... é mais fácil conseguir em "meia dúzia" do que em milhares, principalmente quando essa "meia dizia" é uma seleção.


- "No CM e IO não se aceitam fraquezas de carácter..."  

Isso era interessante se fosse verdade. Infelizmente há pessoas das "espécies" que menciona em todo o lado. É o que se costuma dizer "acontece nas melhores famílias". Não me faça ir ao arquivo pesquisar histórias, não tenho tempo.

 

- "CM e IO foram agraciados com múltiplas condecorações".

E isso é sinónimo de quê? Em Portugal "há mais condecorados que gente".

 

- "No CM e IO não há greves, trabalha-se; os alunos não “batem” nos professores nem pintam grafitis, há disciplina; professores e alunos vão às aulas, existe ordem; aos alunos é-lhes oferecido ampla escolha de actividades, existe liberdade; o acompanhamento é constante, há pois controle e ninguém é inimputável, por irresponsável; avaliam-se os resultados, afere-se o conhecimento e não se dá guarida a madraços; enfim, são Escolas a sério, em qualquer parte do mundo".

Ótimo. Devia ser assim em todas as escolas, mas não é. Pelo que, por vezes, é preciso haver greves.

 

- "No CM e IO sabe-se quem manda, melhor dizendo, quem comanda, ao contrário da maioria das outras escolas onde a autoridade se esvai em múltiplos “conselhos”.

Em nenhum momento eu disse que a escola pública era paraíso ou que concordava com tudo o que se faz no ensino público. Concordo que falta autoridade. 


- "E quando se fala em elites, o CM e o IO não são para elites, uma vez que, por serem públicas, qualquer pessoa ai pode colocar os seus filhos".

Teoricamente, certo? Na prática a coisa não funciona assim e quem frequenta os colégios são os meninos e meninas de famílias abastadas, com tradição. De qualquer forma, se fosse privado não me incomodaria. Mas o Estado não tem que financiar um regime de internato para quem não precisa dele.  

 

- "Mas estas escolas têm a ambição constante de formarem cidadãos que potencialmente possam ser referencia para os demais".

Dar nomes a ruas e essas coisas. Muito bonito. Mas então privatize-se.

 

- "Não seria de promover mais escolas como estas?"

Não. Seria de promover dar-se condições para as escolas públicas funcionarem bem e formarem bons cidadãos. Era fácil, assim o poder quisesse.

 

- "... falar dos pais dos alunos como se não quisessem saber dos filhos, isso já acho falta de respeito. Pergunte aos meninos e meninas de que fala se estão traumatizados ou se se sentem mal amados"
 
Para mim, uns pais que vivem satisfeitos com os filhos internados num colégio preocupam-se única e exclusivamente com "status" e dinheiro. A preocupação que têm com os filhos resume-se a que sejam alguém importante na vida. Estão-se nas tintas para se dormem bem, se têm pesadelos, febre ou lhes dói um dente.
A criança até pode não se sentir mal amada, até porque verdadeiramente não sabe o que é o amor.
 
- "valores é outra das vertentes que tornam mais convicta a nossa escolha, amar a Pátria, a Bandeira, o Hino, respeitar os outros."
Amar a Pátria, a Bandeira, o Hino não são essenciais para a minha maneira de ver o mundo. Acho fundamental que se ame o próximo, se respeite os outros, agora a pátria, a bandeira, o hino... fazem-me recordar tempos e e histórias de má memória. A bandeira é um pano, o hino uma canção. Portugal é muito mais do que isso.

 

- A tropa continuou a atacar e eu continuei a defender os meus argumentos.

 

Colégio Militar (season finale) (29-09-2013)

 

Quando escrevi sobre o Colégio Militar, e por associação do Instituto de Odivelas e parece-me que o Pupilos do Exército é igual, queria falar fundamentalmente do que penso sobre colégios internos e não tanto sobre a instituição em si. Depois, veio a tropa toda reclamar e dizer que não sei o que digo e aprofundei (pouco, que tenho mais que fazer) a coisa e não gostei.

 

Não gostei da instituição, não gostei do modelo que segue, não gostei dos valores que invoca... Não gostei.

 

Agora, segundo o "Diário de Notícias" (DN)*, as "regras de acesso aos três colégios militares são inconstitucionais". Pois que então já tomei uma decisão: por mim fechava.

 

Segundo o DN, as regras de admissão no Colégio Militar, Instituto de Odivelas e Pupilos do Exército desrespeitam o princípio constitucional da igualdade. Deficientes não podem entrar, as mensalidades são diferenciadas entre civis e militares e a igualdade de géneros é o que se sabe. O custo por aluno para o Estado é cinco vezes o da escola pública, mas funcionam como colégios privados.

 

Há mais no jornal, podem ir ler, mas para mim chega. Não quero pagar isto.

Pode vir a tropa toda, pode vir quem quiser. Para mim, se fossemos a votos, fechava. Se se tornar privado... ok, não me chateio mais, apesar de continuar a temer pelas pobres crianças ali educadas.

 
 
Leram tudo?
Não? Não faz mal... podemos debater argumentos outra vez.

6 comentários

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