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Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

24
Mar20

Sem saber como se entreter em casa?

Esse é um drama que não sofro, porque em teletrabalho estou a dar em louca e não tenho tempo para tédio, mas se for esse o vosso caso, ponham mãos à letra, peguem na pena, juntem-se aos Pássaros e participem no desafio, que em tempo de pandemia, se generalizou.

O tema sobre o qual devem dar asas à imaginação é:

Foi tão bom, não foi

As regras são simples e podem ver tudo aqui.

Participem, e avisem, para eu ir ler... quando puder.

20
Mar20

Desafio da escrita dos Pássaros 2 #8

Foi tão bom, não foi?

O relógio tocar às 7h da matina, vociferar uns impropérios, espreguiçar... levantar, fazer o que é preciso e ir para o trabalho.

Trabalhar durante 8 horas, com intervalo para almoçar, o resto do jantar de ontem, direto da marmita aquecida no micro-ondas...

Sair do trabalho, passar no super para umas compras...

Chegar a casa, descalçar os sapatos, abraçar a malta e esticar no sofá...

E no outro dia repete.

Confessa lá, nos dias que correm, lentos, trabalhosos e incertos, percebes que eras feliz, e não sabias.

Agora vá Alexandra, quando isto tudo passar, tens oportunidade de agradecer a vidinha a ser o que é, mas em bom.

Acredita que, apesar de tudo, o mundo vai tirar de tudo isto algo de bom.

Não sei o quê, nem quando... mas acredito.

 

Tema: Foi tão bom, não foi
Desafio de Escrita dos Pássaros

13
Mar20

Desafio de escrita dos Pássaros 2 #7

Olha! Morri! Grande porra!

Agora nem sequer me dava jeito…

Mas pronto, não há quem não morra,

E para mim nada mais há a ser feito.

Cabe-me então escrever o elogio,

Não vou deixar que o façam por mim,

Ainda alguém fazia um desvio...

E dizia “Morreu? Até que enfim”.

Se morri é porque estive viva,

E é da vida que se fala nesta altura.

Não, não cumpri a expetativa,

Ainda assim, viver foi uma aventura.

Amores, desamores, ganhos e perdas.

Muitas coisas boas e algumas merdas.

Amizades, antipatias, subidas e quedas.

Comi o que podia, mas não dei todas as quecas.

Sei que alguns agora me choram,

Outros riem, mas não por falta de amor,

É que nem sempre a lágrima é tristeza,

E muitas vezes o riso afaga a dor.

Sei que a muitos deixarei saudades,

E deles as levo com certeza,

De outros… isto não é momento de verdades.

Vamo-nos encontrar um dia, na profundeza.

 

Escrever isto poderia parecer triste e feio,

Mas só o é para quem não souber (quiser) brincar...

Temos que levar a vida sem receio

De nos rirmos só "porque sim", até quinar.

 

 

Tema: Escreve o teu elogio fúnebre
Desafio de Escrita dos Pássaros

 

06
Mar20

Desafio da escrita dos Pássaros 2 #6

“Volt’imeia é isto. Ligo o com´tador e ele abre janelitas sem parar.”

Desde que tem o portátil, comprado quando andou nas "Novas Oportunidades", Amélia não se cansa de "surfar na internet". Deixou de fazer ponto cruz, passa horas a procurar gráficos novos. Procura receitas durante muito temo e, por isso, não tem tempo para cozinhar. Como é pouco cuidadosa, para além de novidades também é brindada amiúde com vírus, malware e spyware.

Ligou ao sobrinho, que está em Erasmus em Malta:

- Ai" Filho. Fico tã preocupada agora co’esse conavírus que para aí anda...
- Esse quê?
- Essa doença dos chineses.
- Oh tia Amélia, só tu!!... o coROnavírus não é o vírus que mais te devia preocupar. Já te avisei que não abrisses tudo o que te enviam.
- ‘tão!! S’as p´ssoas mamandam as coisas, gosto de ver.

Pedro sabia que era uma batalha perdida.
- Vai ao Mister PC, no Fórum, e perguntas pelo Celso. Eu vou avisá-lo que lá vais.

Perto dos 50 anos, o pouco que Amélia aprendeu das novas tecnologias foi com a patroa que a convenceu a ir para as Novas Oportunidades tirar o 12º ano. O sobrinho Pedro era um querido, e acudia-lhe quando a máquina a atraiçoava.

“Embalou” o seu portátil como uma preciosidade, com plástico de bolhas e tudo, enfiou-o na pastinha, vestiu o melhor vestido, até pôs perfume e lá foi ela para o centro comercial.

Na loja perguntou pelo Celso.

- Sou eu. Deve ser a “tia” Amélia.

Amélia ruborizou. Pensava encontrar um puto como o sobrinho e afinal, Celso era um quarentão, alto e espadaúdo, com olhos verdes e um sorriso afável.

- O mê Pedro disse-lhe o que ê queria sr. Celso?
- Disse, mas sou só Celso.

Enquanto “desembrulhava” a “relíquia”, o informático reparou que por trás daquele “look” e trato simples havia uma bela mulher.

- Dona Amélia. Enquanto isto aqui fica a limpar, vamos tomar um café? Eu explico-lhe como evitar vírus e outras coisas más…

Amélia aceitou. Há muito tempo que não estava sozinha com um homem, nem sabia bem o que dizer, mas foi “um café“ agradável, e a conversa acabou por ser divertida, com Amélia a aprender bastante de como devia usar o computador.

De regresso à loja, Celso tratou de encerrar e embalar o computador, sem o plástico bolha, que ela já sabia ser desnecessário. Disse que a conta acertava com o sobrinho Pedro e despediu-se de Amélia com um beijo na mão.

“Estou perdida!! Venho aqui com um vírus no portátil e vou-me daqui com um no pensamento. Atão mas agora vou-me ficar a sonhar com o informático, que nem sequer é home para mim”

Só no dia seguinte voltou ao computador, para pesquisar como tratar orquídeas, que deixara morrer ocupada que está em pesquisas de como tratar de plantas. Quando abre, encontra uma surpresa no ecrã

IMG_20200305_233307.jpg

 

Tema: Oh não, um vírus outra vez!
Desafio de Escrita dos Pássaros

 

02
Mar20

Pregão alado

Suas Altezas Aladas,

A Passarada

 

Faz saber a toda a comunidade de blogueiros, bloguistas, e gente que escreve blogs, entradas, postais ou posts que, face à pandemia generalizado de medo, fobias e ansiedades e outras perturbações ansiosas, decorrentes do novel coronavírus, corona, covid-19, ou aquela coisa que veio da china, vem por este meio convidar todos quantos queiram, todos quanto arrisquem e que lavem as mãos, para participarem no excelentíssimo, magnífico e excepcional Desafio de Escrita Criativa dos Pássaros.

Assim, para aqueles que aceitem este desafio único, singular e exclusivo, claramente previsto por Nostredamus nas suas profecias sobre o fim do mundo, as regras são:

- Enviem um email para o desafiodospassaros@gmail.com a expressar, consentir e anuir a vossa participação nesta perigosa monta.

- Para os que enviarem o email, até quarta-feira dia 4 de Março, voará missiva com o tema desta semana.

- O texto deve ter, no máximo, 400 palavras.

- Deve ser publicado no próprio reino (como quem diz, blog), sexta-feira dia 6 de Março, pelas 15h.

- Deverá identificar o desafio de escrita criativa dos pássaros no título e nas áchetágues #desafios dos pássaros

 

E que os Pássaros estejam convosco!

28
Fev20

Desafio da escrita dos Pássaros 2 #5

O sol já inunda o quarto, é quase meio dia, e a temperatura está entre 23 e 25º. Cama feita com lençois de algodão branquinhos e um cobertor fofinho. Espreguiço, faço festas ao Tobias, vou para a casa de banho e a banheira está cheia com água bem quentinha e a cheirar a flores.

Posso ter a banheira cheia à vontade porque tudo o que eu desejo se realizou e não há falta de água (nem água a mais) em parte nenhuma do mundo.

Quando saio do quarto está à minha espera um pequeno almoço daquelas que as novelas da Globo nos habituaram, tudo vegano claro.

Como tudo o que eu desejo se realizou, o desperdício alimentar não é um problema, nem sequer de consciência.

Vou até à praia, que é logo ali no fundo do jardim. Ainda está só a amanhecer. Ainda há uma brisa fresquinha e dá para fazer uma caminhada na areia molhada com ondas pequeninas a bater nos calcanhares. Há um ou dois surfistas madrugadores, de resto, está vazia de pessoas.

Sim, eu acordei com o sol alto e na praia ainda só amanheceu, mas é possível, porque tudo o que eu desejo se realizou.

Volto para casa e há um ginásio... passo por ele sem parar, era o que faltava, tudo o que desejo ter-se realizado e eu ter que ir ao ginásio. Entro no SPA para umas massagens relaxantes, sem que me toquem nos pés, óbvio, aroma e cromoterapias... Depilaç... esqueçam, isso não é preciso, porque tudo o que eu desejo se realizou.

Faço o almoço, porque gosto de cozinhar e a casa tem uma daquelas cozinhas dos programas de casas de sonho da SIC Mulher.

À tarde vou ler um livro à beira da piscina, ou se me apetecer, visitar um museu em Barcelona, lanchar crepes em Paris, subir a Machu Picchu, percorrer a grande Muralha da China ou jogar roleta em Las Vegas. Sem medo do coronavírus nem de perder dinheiro, porque tudo o que eu desejo se realizou, não há riscos.

Jantar, vou jantar fora. O sitio escolho depois, pode ser onde eu quiser, porque tudo o que eu desejo se realizou.

A seguir vou ao cinema... mão, melhor, vou assistir a um espetáculo na Broadway, uma ópera em Itália ou dançar tango na Argentina... medo de andar de avião? Não tenho, tudo o que eu desejo se realizou. Não há acidentes.

Depois... depois acordo, até porque já passei das 400 palavras.

 

Tema: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia
Desafio de Escrita dos Pássaros

21
Fev20

Desafio da escrita dos Pássaros 2 #4

Pela primeira vez desde que o desafio começou
Chegou ao dia sem ter escrito o texto
Preparada para nada publicar.
Não se pode dizer que ela não tentou
Mas isto não lhe lembra nenhum contexto
É coisa para a fazer desesperar
 
O tema não tem muito que se lhe diga
Quer lá saber se o Google está errado
Por esta semana escreve pouco. Siga!
Agora tem que ir ao supermercado.
 

Tema: O Google está errado
Desafio de Escrita dos Pássaros

14
Fev20

Desafio da escrita dos Pássaros 2 #3

Solteira há uma porrada d'anos
Sei lá eu como deixar de o ser
Não estou mal, o coração está sem danos
Mas às vezes sinto-me só,
como devem compreender.

Um dia entretida no telemóvel
Já sem vidas num jogo qualquer
Cansada do feed do Facebook
Fui para o Instagram olhar sem ver

Eis que me surge uma ideia peregrina
Das que correm mal a maior parte das vezes:
Instalar o Tinder e pesquisar por gajos
Com fé que a coisa não desse em fezes

Ele é moços em tronco nu
Outros com amigos giros para disfarçar
Acompanhados de cães, gatos ou crianças
Havia até uma foto de um prontinho para casar.

Esquerda, esquerda, esquerda
Este gosto, direita: match
Não é manual para iniciar relacionamentos
Mas é a maneira mais fácil de encontrar um "mache".

Qualquer semelhança com a realidade
Poderá ser ficção ou não
Só digo que para jogar "ao toca e foge"
Não sei se não vale mais usar a mão.

Que texto tão lindo para o dia do amor
Sou uma romântica sem medida
Só sei que se continuo com este mau feitio
Nunca mais na vida sou ...
 

Tema: Manual para iniciar relacionamentos
Desafio de Escrita dos Pássaros

07
Fev20

Desafio da escrita dos Pássaros 2 #2

- A senhora tem um tumor.

As palavras ecoaram no gabinete mas não na cabeça de quem ouvia. Não faziam sentido. Não se percebeu o que ela disse. Os sons não formaram palavras dentro das cabeças.

- É grave doutora?

- Bom, tem alguma gravidade. É um carcinoma. Mas vamos tratar disso. Agora vai à secretaria com este papel, já pedi consulta de oncologia, depois vai ao -1 marcar...

Mas que raio diz ela que não se consegue processar? Num flash de tempo, sem perceber como, estão de regresso a casa, num caminho estranhamente mais demorado que o habitual e em silêncio.

Quando entraram em casa o estrondo. Caíram num choro profundo que pareceu durar horas. Secaram as lágrimas e juraram que iam combater aquilo.

TACs, ressonâncias, com e sem contraste, análises diversas, sempre adiando um exame tão essencial para o diagnóstico final como perigoso para o que era preciso viver...

a amiga de uma amiga leva os exames a uma médica amiga

Sim, é preciso ter amigos. Na hora da aflição vale tudo.

Alívio.

A “massa” é uma grande "cagada" deixada da cirurgia de retirada de vesícula. Ficaram lá uns "agrafos" de costura "mal amanhados" que formam uma amalgama esquisita... mas é tudo células normais. Não é cancro.

Entretanto chega a consulta com o oncologista.

- A senhora sabe porque veio a esta consulta?

- A dra X disse-lhe que tinha um carcinoma entre o pâncreas e...

- A dra X disse isso assim?

- Sim.

- É que não, a senhora não tem tumor nenhum.

- Nós sabemos. É uma costura defeituosa que…

- Sim, é isso. Aqui que ninguém nos ouve, a minha colega não tem bom olho para exames, mas tem ainda menos sensibilidade na transmissão de “diagnósticos”. Lamento que se tenha assustado. Mantenha a vigilância com análises sanguíneas, é suficiente.

...

De volta à consulta da dra X

- Bem, já sei as novidade. Que bom!! Eu recomendo que faça na mesma uma CPRE, para ficarmos mesmo descansados.

- O dr. oncologista disse ser desnecessário face aos riscos...

- Vocês é que sabem. Há riscos, mesmo de vida é verdade, mas, se não querem fazer o exame vou dar alta, uma vez que sem exames não consigo saber como está.

- Desculpe a honestidade dra, mas parece-me que nem com exames consegue.

Mudou de cor

- Pronto, então acabamos aqui, passe pela secretaria para a alta. E olhe que não tem cancro, mas a diabetes também mata.

 

Esta história é real e nos diálogos nada foi inventado. Talvez o tempo tenha apagado algumas vírgulas e palavras, mas nunca, jamais o contexto.

Em breve faz 10 anos e continua tudo bem.

Para o bem e para o mal, isto de médicos, nunca fiando.

 

Tema: É que isso de médicos, nunca fiando
Desafio de Escrita dos Pássaros