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Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

Blog de AlGo

Por Alexandra Gomes

19
Fev21

São racistas, fascistas ou só burros?

... eis a questão.

Mais de 25 mil pessoas (à hora a que este texto foi escrito) assinaram a petição para a extradição de Mamadou Ba pelas declarações que proferiu em relação a Marcelino da Mata, recentemente falecido. Resolvi ir ver o texto da petição, e analisar algumas partes do dito.

"Mamadou Ba, ex-assessor do Bloco de Esquerda" - Se é ex, para quê a referência? Interessa? Cheira-me a "direitismo" exacerbado...

"depois do seu serviço foi humilhado... ameaçado de perder a nacionalidade e de ser extraditado...". Está mal maltratarem o senhor, mas quanto a ameaça de extraditar, parece ser uma coisa com a qual os assinantes da petição simpatizam, não vejo o problema.

"Não é a primeira vez que Mamadu Ma profere frases e afirmações que colidem com os valores do cidadão comum e, infelizmente, apenas têm contribuído para fomentar o ódio e o mau estar entre as raças!" Ai ai ai!! Menino Mamadu, já te avisaram e continuas a ferir os sentimentos do coração dos senhores? Mau mau Mamadu. Quem escreveu o texto podia ser mais adulto para ser levado a sério, não? Ah!! já agora, é Ba, não é Ma. Querem mandar o homem daqui para fora ao menos enxotem-no pelo nome certo.

"Para terminar, serve a presente Petição Pública para que a Assembleia da República vote favoravelmente pela expulsão de Portugal de alguém..." . Agora é que vai!! Então mas desde quando é que a Assembleia da República vota a expulsão de alguém? Cês são muito dados aos valores da pátria e o caraças, mas de leis, Justiça e essas coisas básicas, percebem nada.

"Que esta expulsão sirva de exemplo!" Para quê e para quem? Para que os portugueses tenham cuidadinho com o que dizem? É que, pasme-se! O homem tem nacionalidade portuguesa. 

Não minha gente, vocês não podem querer expulsar alguém só porque não concordam com o que diz.

Sim, ele excede-se nos termos e na forma algumas vezes, mas vocês excederam, em muito, os limites do razoável, ao quererem manda-lo para a terra dele. Primeiro, e antes de mais, porque este jardim à beira mal plantado é a terra dele e depois, mas não menos importante, porque se aceitam e honram alguém que nascido noutro país "serviu em mais de 2000 operações na Guerra do Ultramar", matando em nome de um império injusto e cruel, também têm que aceitar a opinião de alguém que, não sendo parido na vossa pátria amada, tem tanto direito a nela viver como vocês e tanto direito a dizer disparates como vocês.

Não sou deputada, se fosse, o meu voto seria contra o voto de pesar pela morte de Marcelino da Mata, porque nada de vitorioso naquele tempo nos devia orgulhar.

A mim, repugna-me e envergonha-me.

09
Dez20

Que aperto no peito

... que desconforto gigante, ver que a família de uma jovem de 21 anos que morreu tragicamente não se pode despedir em paz da sua menina.

Tiveram que se esconder, porque não querem mostrar ao mundo a sua dor, certamente estampada no rosto, porque se querem resguardar e não ter que ver o seu sofrimento ser o lucro de abutres.

Tiveram que tapar a cara, quando na verdade, os que ali estavam com o propósito de registar o momento deviam cobrir a sua de merda. Que vergonha!!

Que nojo de todos quanto de tudo fizeram para captar uma imagem do rosto de um dos Carreira.

Não é preciso ter um curso de jornalismo para perceber que isso não se faz, bastava que fossem humanos e não o fariam.

04
Dez20

"A Pão e Água" e Ferraris

Eu sei que os Ferraris não se comem, mas dizer que se está "a pão e água" quando se tem um Porsche na garagem é, no mínimo, desrespeitoso por quem está a passar por verdadeiras dificuldades.

Infelizmente, não há dinheiro para cobrir os prejuízos de toda a gente e muitos daqueles que os empresários da greve de fome dizem que representam, estão a fazer pela vida, a reinventar-se, a trabalhar. 

Não sei se eles se deram conta, mas isto não está fácil para ninguém e tenho uma notícia: vai ficar pior. 

Já acabou a chantagem greve de fome, e ainda bem.

Não se brinca com a saúde, muito menos numa altura destas.

26
Nov20

Só uma coisinha...

... Pessoas que dizem que as Câmaras Municipais não deviam iluminar as cidades para o Natal e usar o dinheiro para ajudar as empresas em dificuldades, sabem que as luzes não nascem de forma espontânea e que há empresas que dependem delas para se aguentar. 

Há famílias dependentes deste trabalho, como de todos os outros.

Num ano em que festas e romarias foram adiadas, canceladas ou reinventadas, a diferença entre fechar e sobreviver para muitas das empresas de iluminação festiva pode estar precisamente no Natal.

Não tenho nem conheço ninguém que tenha empresas de iluminação, mas tenho a mania de pensar um bocadinho antes de criticar e, ainda assim, às vezes erro, que fará quem não pensa antes de atirar pedras.

09
Set20

A história das mamocas constipadas

... ou como provar que as aulas de Educação para a Cidadania são tão importantes.

A história do revisor da CP que acha que uma mulher de decote anda a provocar todos os homens que viajam de comboio, e por isso pode dizer a baboseira que lhe apetece, assim como todos os comentários que as várias notícias do caso originam nas redes sociais, são a prova em como a educação de casa não chega para formar bons cidadãos.

Eu, que no meu tempo não tinha a disciplina na escola, ensinava-lhe a cidadania com um sopapo no focinho ou uma joelhada nas partes baixas, mas a rapariga fez bem em só apresentar queixa.

01
Set20

Sou contra a realização da Festa do Avante

em plena pandemia

... mas não acho que sou contra da mesma forma que a maioria das pessoas é.

Muita gente é contra porque não pode ir a outras festas, concertos e feiras.

São contra porque a comparam aos funerais a que não puderam ir ou às visitas que não puderam fazer. 

São contra porque se não podem estar com os amigos como sempre estiveram, os comunistas também não podem.

Eu sou contra porque sim.

Porque é errado numa altura destas, em que aparentemente os contágios até estão a subir, milhares de pessoas se juntem seja porque motivo for. 

Não preciso de comparação de situações.

Sou contra porque o distanciamento físico ainda é um mal necessário.

Não vejo necessidade de comparar com proibições que fazem sentido, porque o que está mal é haver festa.

O que me parece é que se algumas pessoas pudessem ir à bola já não se chateavam que os "comunas" dançassem a "Carvalhesa".

A vida precisa de voltar ao normal, mas ao normal possível, ao novo normal, com cada um no seu quadrado e com poucos cruzamentos.